A importância do tecido e gramatura na escolha do seu kimono de Jiu-Jitsu ideal

A importância do tecido e gramatura na escolha do seu kimono de Jiu-Jitsu ideal

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A pegada firme no seu kimono, o suor que o deixa mais pesado a cada rola, a sensação do tecido raspando no tatame. Para quem pratica Jiu-Jitsu, o kimono é mais do que um uniforme; é uma ferramenta, uma segunda pele. Mas na hora de comprar um novo, a avalanche de termos como "trançado", "ripstop" e "GSM" pode confundir até o praticante mais experiente. A escolha parece complexa, mas na verdade, ela se resume a dois fatores centrais: o tipo de tecido e sua gramatura.

Ignorar esses detalhes é um erro comum, muitas vezes resultando em um kimono que rasga rápido, esquenta demais ou simplesmente não se adequa ao seu estilo de treino. Entender a diferença entre um tecido leve e um pesado, ou entre um trançado simples e um pearl weave, não é um mero detalhe técnico. É o que define o conforto, a durabilidade e até a vantagem estratégica que seu gi pode oferecer no dia a dia do tatame.

Este artigo vai desmistificar esses conceitos de forma prática. Vamos analisar como o tecido e a gramatura impactam diretamente sua performance e bem-estar, ajudando você a fazer uma escolha consciente, seja para o treino diário intenso ou para o dia da competição.

Entendendo o tecido e gramatura na escolha do kimono

O tecido de um kimono de Jiu-Jitsu, geralmente o trançado, define sua resistência e textura, enquanto a gramatura, medida em GSM (gramas por metro quadrado), indica o peso e a densidade do material. Juntos, esses fatores determinam a durabilidade, o conforto e até a dificuldade de pegada para o adversário. Escolher bem significa alinhar essas características ao seu objetivo principal no tatame.

O vagui, ou paletó, é quase sempre feito de algodão trançado. Esse método de tecelagem cria uma malha robusta, projetada para suportar a tração constante das pegadas e o atrito do solo. Existem diferentes tipos de trançado, cada um com um toque e uma resistência específicos. Já a gramatura é um número que traduz o quão pesado e grosso é esse tecido. Um kimono de 450 GSM é mais leve e fino que um de 750 GSM, por exemplo. Essa diferença é sentida não só no corpo, mas na dinâmica da luta.

Principais tipos de tecido trançado e suas diferenças

Ao procurar um kimono, você encontrará diversas nomenclaturas para o tecido trançado do vagui. Embora pareçam complexas, elas representam variações na forma como os fios de algodão são entrelaçados, resultando em diferentes níveis de peso, maciez e resistência.

O Trançado Simples (Single Weave) é um dos mais básicos e leves. É uma ótima opção para iniciantes ou para quem treina em climas muito quentes, por ser mais fino e respirável. Sua desvantagem é a menor durabilidade quando comparado a outros tipos.

Já o Trançado Duplo (Double Weave) é o oposto. É extremamente grosso, pesado e durável, sendo a escolha de muitos praticantes que buscam um kimono "armadura", difícil de ser agarrado. Contudo, pode ser quente e restringir um pouco os movimentos.

O Pearl Weave se tornou o mais popular por ser um meio-termo ideal. Sua tecelagem única, que lembra pequenas pérolas, cria um tecido leve, forte e que não encolhe tanto. Ele oferece um excelente equilíbrio entre durabilidade e conforto, servindo bem tanto para treinos quanto para competições.

Por fim, o Gold Weave era o padrão ouro para competições, combinando a durabilidade do duplo com a leveza de um trançado mais simples. Hoje, com a popularização do Pearl Weave, ele se tornou menos comum, mas ainda é uma opção premium que oferece muita resistência com um peso gerenciável.

Como a gramatura do kimono afeta seu treino e desempenho

A gramatura, ou GSM, é a medida que mais impacta a sensação do kimono no corpo. A escolha aqui é uma troca direta entre leveza e robustez, e a decisão certa depende do seu ambiente de treino e preferência pessoal.

Kimonos mais leves, geralmente abaixo de 450 GSM, são ideais para treinar em locais quentes ou para competidores que precisam bater o peso. Eles oferecem maior mobilidade e conforto, permitindo que o corpo respire melhor. A contrapartida é que são menos duráveis e, por serem mais finos, facilitam a pegada do oponente, que consegue segurar o tecido com mais firmeza.

Kimonos de gramatura média, entre 450 e 550 GSM, representam o equilíbrio perfeito para a maioria dos praticantes. São considerados os "cavalos de batalha" do Jiu-Jitsu. Oferecem boa durabilidade para o treino diário, sem serem excessivamente pesados ou quentes. É a faixa mais recomendada para quem está comprando o primeiro kimono ou busca uma opção versátil para o dia a dia.

Já os kimonos pesados, com gramatura acima de 550 GSM, são verdadeiras armaduras. São extremamente duráveis e o tecido grosso dificulta muito a vida de quem tenta fazer uma pegada. Por outro lado, são mais quentes, pesados e podem demorar mais para secar. São preferidos por praticantes que valorizam a estratégia de defesa de pegadas e a longevidade do material acima do conforto térmico.

O tecido da calça: a importância do algodão e do ripstop

Muitas vezes, a atenção se volta toda para o vagui, mas o tecido da calça é igualmente crucial para a mobilidade e durabilidade. As duas opções mais comuns no mercado são as calças de sarja de algodão e as de tecido ripstop.

As calças de sarja de algodão são as mais tradicionais. Elas são mais macias e confortáveis, mas tendem a ser mais pesadas, especialmente quando ensopadas de suor. Por serem feitas de um material mais simples, também são mais suscetíveis a rasgos, principalmente na região dos joelhos, que sofre desgaste constante.

As calças de ripstop, por outro lado, são feitas de um material sintético ou uma mescla de algodão e poliéster, com uma trama quadriculada que impede que pequenos furos se transformem em grandes rasgos. Elas são significativamente mais leves, secam mais rápido e são extremamente resistentes. O ponto negativo para alguns é a sensação, pois o tecido pode ser um pouco mais áspero que o algodão puro. Hoje, a maioria dos kimonos de competição e muitos de treino já vêm com calças de ripstop.

Kimono para treino diário ou para competição: qual escolher?

A finalidade do kimono também deve guiar sua escolha. O gi ideal para o treino diário pode não ser o melhor para o dia de uma competição, e vice-versa. Ter kimonos diferentes para cada situação é uma estratégia comum entre praticantes mais dedicados.

Para o treino diário, a durabilidade é a prioridade. Um kimono de gramatura média a pesada (entre 450 e 600 GSM), como um Pearl Weave robusto, é uma excelente escolha. Ele vai aguentar a rotina de treinos intensos, lavagens frequentes e o desgaste constante. Esse "kimono de guerra" pode ser um pouco mais pesado, o que até ajuda a dificultar as pegadas dos seus parceiros de treino.

Para competições, o foco muda para leveza e conformidade com as regras (como as da IBJJF). Um kimono mais leve (abaixo de 450 GSM) ajuda no controle de peso na balança e proporciona maior agilidade. Muitos competidores optam por kimonos com tecido Pearl Weave leve e calça de ripstop, buscando o menor peso possível sem sacrificar totalmente a resistência para uma luta.

Cuidados que aumentam a vida útil do seu kimono

Independentemente do tecido ou da gramatura, a forma como você cuida do seu kimono fará toda a diferença na sua longevidade. Um bom kimono é um investimento, e alguns cuidados simples podem garantir que ele dure por muitos anos de treino.

Lave o kimono sempre após o uso para evitar o acúmulo de bactérias e mau cheiro. Use água fria, pois a água quente pode encolher o algodão e danificar a gola. Vire o kimono do avesso para preservar os patches e a cor. Evite usar alvejantes, que enfraquecem as fibras do tecido e podem amarelar kimonos brancos.

Na hora de secar, a melhor opção é sempre ao ar livre e na sombra. O sol direto pode ressecar as fibras do algodão, tornando-as quebradiças, e desbotar a cor do seu gi. Nunca use secadora de roupas, pois o calor intenso certamente causará um encolhimento significativo e pode deformar a gola de borracha vulcanizada.

A escolha do kimono ideal é uma jornada pessoal, que evolui junto com seu Jiu-Jitsu. O que funciona para um colega de treino pode não ser o melhor para você. Ao entender o que cada tipo de tecido e gramatura oferece, você ganha autonomia para tomar uma decisão informada, alinhada ao seu biotipo, clima da sua cidade e, claro, seu estilo de luta. Mais do que um simples uniforme, seu kimono se torna uma extensão do seu jogo. Vale a pena usar esses critérios para garantir que sua próxima escolha seja a mais inteligente possível. Oss!

Lucas Ferreira

Lucas Ferreira

Editor de Conteúdo
"Jornalista e praticante de Jiu-Jitsu com mais de 12 anos no tatame e ampla experiência em cobertura de competições, técnicas e preparação física. Atuo produzindo conteúdo prático para iniciantes e atletas avançados, com foco em evolução técnica, saúde e cultura do esporte. Minha abordagem é prática, embasada e respeitosa com a comunidade. Estou aqui para ajudar você a aprender, evoluir e conquistar."

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